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| Foto: juventudeci.wordpress.com |
Que o eleitor está mais consciente na hora do voto não há como negar. Ainda é um avanço bastante tímido, mas que já pode ser sentido, sem dúvida alguma. Votar neste ou naquele político, num gesto do tanto faz, é algo que precisa desaparecer das atitudes do cidadão. Esse processo é demorado, pois envolve mudança de aspectos culturais. E, faz parecer, que a corrupção, motivo do descrédito à política partidária, está enraizada culturalmente.
O que falta ao cidadão eleitor é mais que isso. Precisa ser algo que vá além do discurso ou de uma análise meramente superficial dos aspectos que circundam a política partidária. Deixar de votar neste ou naquele candidato porque o mesmo comprovou não ter moral, e nisso se inclui, substancialmente, a honestidade, não é o suficiente. É preciso se fazer um exercício maior e olhar além do ponto onde o mesmo se encontra.
O eleitor pensa estar punindo determinado político ao não depositar nele seu voto. Esquece-se, porém, de olhar ao redor do mesmo e ver em que ambiente ele está. E mais, quem o circunda. As famosas alianças partidárias têm mostrado esta realidade. Políticos que hoje de criticam e apontam atos e ações no outro que não condizem com o ideal para a sociedade, amanhã podem estar, muitos já estão, de mãos dadas. E onde foi parar tudo o que se pregou? Em nome da governabilidade, justificam.
A polialiança de partidos feita em Santa Catarina, com Luiz Henrique da Silveira (PMDB), e em nível federal, iniciada no governo Lula (PT), é uma amostra disso. O eleitor pode não concordar e aceitar que figuras como Sarney, Calheiros, Barbalhos e Genuínos da vida usufruam do poder. Porém, ao eleger Dilma Roussef, por tabela está colocando o poder nas mãos de muitos destes. Da mesma forma se o fizesse com José Serra. Seria diferente com Marina Silva? Talvez não.
Da mesma forma, em Santa Catarina quando houve a eleição dois anos atrás. Votar em Raimundo Colombo seria dar continuidade ao governo LHS. Votar em Angela Amin, seria reviver o governo de seu marido. Votar em Ideli talvez fosse a saída. Exceto que estariam alinhados estes dois últimos já desde o início da briga e corrida pelo governo. O que faria com que o cidadão ficasse sem opção. O novo. O diferente. Qual seria, afinal, esta opção. O detalhe é que tudo não pode se resumir a uma opção ou outra.
A coerência de discursos é um item importante. O que ocorre é que, lamentavelmente, tudo parece ter se debandado para uma única busca: o poder. Em nome disso é que tudo gira. Dessa necessidade surgem as mais estranhas alianças. Alguma quase que inexplicáveis. Estava lendo uma entrevista outro dia Daca por Esperidião Amin a um site ainda em 2011, após o término da greve dos professores. Astuto como só ele sabe ser, Amin tratou com cautela, até porque seu partido foi de grande ajuda para o governo na Alesc. Porém, não pôde deixar de poupar críticas a ação do governo Colombo.
O curioso é que hoje o PP, rival de Colombo na disputa, mais alinhado com o PT do que com o ex DEM, faz parte da base de Colombo. Está prestes, inclusive a assumir uma secretaria das mais importantes, a da Educação, especula-se. O discurso mudará, será? Além do que, na eleição, o PP disse que estava aberto a negociações com qualquer partido, exceto o PMDB. Ambos defendem o mesmo governo hoje. O que mudou?
O descrédito à política partidária vai daí. O exercício que o eleitor precisa fazer vai além de punir este ou aquele candidato com seu voto. É um fator importante, mas insuficiente ainda.